domingo, março 04, 2007

Comportamento Operante

O que é comportamento? É uma interação do organismo com o ambiente. Interação essa que se dá através de uma função conjunta da seleção filogenética, aquela que ocorreu durante a evolução das espécies, com a seleção ontogenética, que ocorreu durante a história de vida do indivíduo. Operante é um conjunto de ato que tem o mesmo efeito no ambiente, que está localizado no espaço e no tempo. Comecei esse simples texto pontuando conceitos importantes para se entender a proposta skinneriana. Em pleno século XXI ainda grandes intelectuais não percebem qual a real proposta do Behaviorismo Radical. Skinner em seu livro, Sobre o Behaviorismo, que foi publicado no ano de 1974 coloca 20 mitos acerca do Behaviorismo Radical, e ainda hoje ouvimos as mesmas críticas.
Caros leitores, a proposta Skinneriana é explicar todos os termos mentalistas. A causalidade dos comportamentos é uma seleção por conseqüência, o organismo afeta o ambiente e tal alteração afeta o organismo, é bidirecional, é interacionista e histórico. Não tem um estimulo iniciador, mas uma malha de relações que afeta o comportamento, que é multideterminada. Um determinismo filogenético, um determinismo ontogenético e um determinismo cultural. É um monismo ambientalista, mas esse ambiente é qualquer evento no universo que afeta o organismo. Não há uma diferenciação entre o que é externo ou interno. Pois existe o mundo sob a pele. O perigo está nos rótulos que damos a esse comportamento em que somente o próprio organismo tem acesso. Rótulos que não explicam nada e são antieconômicos. “Penso, logo existo”. Penso, logo tenho reações fisiológicas. Penso, logo me comporto. Pensar não é causa para outro comportamento, pois ele é um comportamento como qualquer outro. A única diferença é que os outros não têm acesso a ele. O Watson com seu manifesto com intuito de transformar a Psicologia em uma ciência, desconsidera a Consciência como objeto de seu estudo. Ele não a nega, mas a ignora; só estudaria os comportamentos observáveis, mas esses observáveis pelos outros, ou seja, transforma a sua psicologia em uma “psicologia dos outros”. Fundamentado no Realismo que procura uma verdade absoluta, dando ênfase à topografia dos comportamentos, caiu numa causalidade mecanicista. Skinner está preocupado com o efeito destes comportamentos no ambiente. Nega a consciência na perspectiva de escapar do mundo físico, isto é, que não tem uma existência identificável no ESPAÇO e no TEMPO. Aceita a introspecção não como um método, mas como um objeto de estudo pois introspeccionar é comportar-se; é autoconhecimento. “Dizer que estou observando eventos internos equivale a dizer que estou observado meu próprio corpo e seu funcionamento.”
1
“Uma ciência do comportamento deve considerar o lugar dos estímulos privados como coisas físicas e, com fazê-lo proporciona uma descrição alternativa da vida mental. A questão, então, é: o que há dentro da pele, e como sabemos a respeito?” (Skinner, 1974, p.180) . 2
A caixa não é preta. “Evidentemente o organismo não é vazio e não pode ser adequadamente tratado como apenas uma caixa preta, porém, distinguir cuidadosamente entre aquilo que sabemos acerca de seu interior e aquilo que é apenas INFERIDO” (Ibid).
Cristiane Francisca Ferreira Matos

Cristiane Francisca Ferreira Matos é membro da Liga Acadêmica de Análise do Comportamento do Piauí e estudante do curso de Psicologia da Universidade Estadual do Piauí. E-mail para contato :krismato@yahoo.com.br e kris_ffmatos@hotmail .com.

1 Behaviorismo Metodológico e suas relações com o Mentalismo e o Behaviorismo Radical.
2 SKINNER, B. F. Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix, 1974.

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