Sábado, Janeiro 30, 2010

Mensagem da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental

Caros associados e amigos da ABPMC,

A atual diretoria da Associação elaborou uma breve pesquisa, visando conhecer melhor o perfil de profissionais e estudantes brasileiros que têm interesse na psicologia comportamental e cognitivo-comportamental. O questionário pode ser respondido em menos de cinco minutos.

Conhecendo o perfil e os interesses das pessoas da área, acreditamos ter mais subsídios para a organização do XIX e XX Encontro da Associação, e também para negociar com eventuais patrocinadores.

Esperamos contar com a colaboração de todos, respondendo com cuidado cada um dos itens. Será de grande valia para a área e para a Associação.

Pesquisa

Aproveitamos ainda para lembrar que está no site da Associação, no link carta, uma carta da nova diretoria, na qual retomamos alguns compromissos assumidos e informamos sobre ações já implantadas. Convidamos a todos para que leiam e enviem sugestões.

Grande abraço

Maria Martha Hübner

Denis Zamignani

Roberta Kovac

Sonia Beatriz Meyer

Ricardo Correa Martone

Diretoria 2010-2011

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

A importância da divulgação da Análise do Comportamento

A tendência que as pessoas tem de trabalhar para validar premissas nas quais já acreditam é um processo conhecido há muito tempo por Psicólogos e Filósofos. Não há nada de novo nisso...

As tentativas de validação variam desde o uso de recursos lógicos (Ex: comprovação) até o uso de recursos sociais (Ex:propaganda).

Baseado nessa tendência, muitos poderiam questionar o título desse artigo afirmando que ele não passa de mais uma tentativa de disseminar uma orientação teórica junto a um determinado público-alvo.

Mas antes de aceitarmos essa crítica vamos atentar rapidamente para as três proposições abaixo:

a)A Análise do Comportamento é uma ciência que se embasa em uma teoria científica chamada Teoria da Seleção do Comportamento pelas Consequências;

b) Uma das características de qualquer teoria científica é a possibilidade – e talvez a necessidade - de ser alvo da críticas de opositores;

c)Críticas de opositores - quando devidamente embasadas - são extremamente válidas para o desenvolvimento da ciência, pois muitas vezes apontam lacunas e brechas que os estudiosos de uma teoria têm dificuldade de observar.

Diante dessas afirmações surge uma pergunta: até que ponto é possível realizar críticas plausíveis a uma teoria quando não a conhecemos?

É claro que quando não aprofundamos os estudos a respeito de um tema não temos a capacidade de tecer críticas consistentes a ele!

Muitas vezes aproveitamos as críticas que ouvimos dos professores e reproduzimos como se fôssemos papagaios. E o perigo dessa papagaiada toda é reproduzirmos críticas que há muito tempo foram rebatidas! Críticas que não servem para muita coisa a não ser tomar o tempo de pessoas que se dedicam ao desenvolvimento de determinada área.

Será que isso não ocorre com a Análise do Comportamento? Será que não perdemos tempo demais rebatendo indefinidamente críticas que já nos foram feitas milhares de vezes e respondias a altura há muito tempo?

Daí decorre a necessidade urgente de aprimoramos as técnicas de divulgação da Análise do Comportamento para que os críticos aprofundem os seus estudos sobre a mesma e tenham a capacidade de apontar, de maneira consistente, brechas e lacunas na sua teoria subjacente.

A divulgação da Teoria da Seleção do Comportamento pelas Consequências - assim como a divulgação de qualquer teoria - é serviço que se presta ao desenvolvimento da Ciência como um todo, pois ela reforça o compromisso com os estudos e com a argumentação consistente - características de uma comunidade científica competente.


Anderson de Moura Lima

Domingo, Janeiro 10, 2010

Um engano na Psicologia: a vitimização teórica.

Rotineiramente influenciamos e somos influenciados por ideias e posturas muito poderosas.


É um fenômeno comum, pois faz parte da condição humana e da sua dimensão sócio-verbal. Conversamos, opinamos, argumentamos, discutimos, agimos, expressamos e todo esse movimento gera consequências que reverberam nos outros...


Muitas dessas consequências, infelizmente, passam despercebidas por nós.


Encontramos exemplos dramáticos na história de povos e nações inteiras que foram arrebanhadas por indivíduos carismáticos que se utilizavam dos mais diversos meios de divulgação para propagar ideologias e atitudes que seriam, mais tarde, incorporados facilmente pelas pessoas sem estas nem ao menos atentarem de onde elas vinham, em que base sustentavam-se, quais os objetivos das pessoas que as disseminavam e principalmente quais as consequências que poderiam produzir.


Essas posturas podem, muitas vezes, não ter uma origem visível, mas há sempre indivíduos que se apoderam e passam a defendê-las com unhas e dentes justificando-nas de todas as formas para sustentá-las e cobri-las de um caráter lógico, racional, ético, moral e ás vezes até mesmo humanitário.


Nada muito diferente de uma pregação...


A Psicologia é uma área do conhecimento que está repleta de pregadores... Os pregadores não são ruins por natureza, mas simplesmente acredito que a Psicologia não deveria ser lugar para eles...


Poderia elencar aqui vários exemplos, porém irei deter-me num fenômeno historicamente recente que foi potencializado pelo aumento da diversidade teórica na Psicologia, pela pobreza intelectual dos estudantes e profissionais da área e pelo contato mais frequente entre estes proporcionado pelo aumento de eventos científicos e profissionais, como também pela maior utilização dos meios de comunicação como a internet e as redes virtuais de relacionamento (listas de discussão, Orkut...).


Cabe ressaltar que este fenômeno também tem suas bases na necessidade que muitos estudantes e profissionais da nossa área têm de tentarem construir uma identidade ou unidade – muitas vezes de forma ingênua – para a nossa profissão (uma tarefa dificílima, diga-se de passagem...).


A Psicologia é uma área do conhecimento muito ampla e que possui diversas orientações teóricas.


Cada orientação teórica possui um conjunto específico de pressupostos filosóficos e epistemológicos, metodologias de pesquisa, técnicas, protocolos de trabalho e até mesmo diretrizes políticas. Existem diversas orientações teóricas na Psicologia. Na verdade existem diversos conjuntos de orientações teóricas. Cognitivistas; Comportamentais; Humanistas, Psicanalistas e Sócio-Históricas podem ser considerados os principais conjuntos de orientações teóricas da Psicologia, apesar de existirem outros de menor expressão. Há divergências e divisões dentro desses conjuntos, mas há também semelhanças que por sua vez nos autorizam a agruparmo-nas em conjuntos.


As orientações teóricas dentro da Psicologia são tão numerosas que se formos levar em consideração todas as divisões dentro dos conjuntos já citados podemos afirmar tranquilamente que há várias centenas de orientações teóricas.


As diferenças entre os conjuntos de orientações teóricas são tão grandes a ponto de vários teóricos considerarem a existência de várias Psicologias e não somente de uma - afinal de contas cada orientação teórica afirma tomar para si o estudo de um objeto com características diferente dos demais objetos de estudo das outras.


O fenômeno ao qual me refiro desde o começo do texto e que está sendo incorporado no discurso de muitos estudantes e profissionais pode ser chamado de vitimização teórica.


Ela ocorre quando estudantes e profissionais de Psicologia passam a cobrar mais “escuta”, “respeito”, “sensibilidade”, “cuidado”, “aceitação”, “educação”, “assertividade” e menos “agressividade” e “autoritarismo” quando estão discutindo sobre diversas questões – principalmente questões científicas e aplicadas. Muitas vezes colegas que se empenham mais vigorosamente nas discussões são acusados de serem “autoritários”, “insensíveis” e tentarem “impor suas ideias”.


O grande problema existe porque quase sempre – ou sempre - a orientação teórica de um estudante ou profissional de Psicologia atravessa seu discurso - mesmo que isso não fique visível para ele mesmo - e esse processo gera conflitos filosóficos, teóricos e políticos inevitáveis (são os tais dos pressupostos epistemológicos, ontológicos e as posturas políticas que cada orientação teórica reflete e que inevitavelmente contaminam os discursos de cada um).


Esses conflitos teóricos, filosóficos e políticos, na maioria das vezes, são insanáveis e isso não significa – ou não deveria significar - “falta de respeito”, “falta de educação”, “autoritarismo” ou “insensibilidade”...


Claro que é obrigação de todos respeitarem e serem educados com os colegas de profissão, porém isso não significa em hipótese alguma que uma pessoa tenha que deixar de argumentar utilizando dados ou conceitos com receio de ofender o colega.


É essencial separar o “joio” do “trigo”: alguns são certamente mal educados, outros simplesmente defendem vigorosamente seu posicionamento e alguns exageram por não terem maturidade para discutir. Existem muitas diferenças!


Desde quando podemos comparar seres humanos a teorias?Desde quando podemos tratar posturas teóricas, filosóficas e políticas como se elas fossem pessoas? Desde quando devemos ser humanitários, bonzinhos ou respeitosos com posturas teóricas, filosóficas e políticas?


O fato de discordarmos da opinião de um terceiro não significa que este tenha o direito de tratar o fato como uma desavença pessoal. Isso só reflete uma imaturidade profissional.


O fenômeno da vitimização teórica é fruto de uma psicologização das discussões científicas: o afeto de alguns fica acima dos interesses de uma discussão bem embasada que pode proporcionar reflexões significativas ao grupo e avanços no conhecimento.


Nesse processo de psicologização das discussões científicas são eleitos “vítimas” e “criminosos”. Os primeiro tentam a todo custo defender a ideia de que alguns dos presentes devem ou deveriam ser mais “amenos” nas suas colocações ou argumentações. Como não conseguem, recorrem a pretensos valores éticos, humanitários, científicos e profissionais com o intuito de culpabilizar as pessoas que defendem vigorosamente suas posições ou “atacam” as demais.


Atacar” posições teóricas de outros não é sinônimo de desrespeito ou autoritarismo. A história do conhecimento humano está repleta de vigorosas discussões que foram trampolim para grandes descobertas e conceituações, mas a pobreza intelectual de vários estudantes e profissionais de Psicologia impedem-nos de levarem isso em consideração... Simplesmente nunca tiveram contato com leituras direcionadas ao estudo da História da Ciência ou pelo menos do Conhecimento.


Ocorre também de muitas vezes recorrerem à vitimização teórica porque simplesmente têm medo de exporem as fraquezas teórico-metodológico-práticas das orientações teóricas que "seguem". Não têm a capacidade de progredir nas discussões e criam escudos protetores como o da vitimização teórica.


Assim como o desrespeito e a agressividade, fenômenos como o da vitimização teórica são grande barreiras ao diálogo e ao desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência e profissão!


Anderson de Moura Lima



Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

I Congresso de Psicologia e Análise do Comportamento

(IV Encontro Paranaense de Análise do Comportamento; I Encontro Brasileiro de Estudos sobre as Psicoterapias Analítico Comportamentais da terceira onda [EBEPAC-3ª.O]).

Londrina/PR, 13 a 15 de Maio de 2010
Tem como objetivo: integrar profissionais da Psicologia e áreas afins; bem como promover discussões e divulgar conhecimento científico e de atuação profissional sobre: Psicologia da Saúde, Psicologia Clínica, Psicologia do Esporte, Epistemologia da Psicologia, Psicologia Forense, Neuropsicologia, Psicologia e Educação, Educação Especial, Psicobiologia e Psicologia Institucional e Organizacional.

Prazo para propostas de mesas e simpósios:
até 5 de FEVEREIRO de 2010

Prazo para encaminhamento de Posters e Comunicação:
até 21 de MARÇO de 2010

Prazo para inscrição online :
até 30 de ABRIL de 2010

Informações

PARTICIPANTES CONFIRMADOS
Prof. Dr. Armando Machado (UMINHO, PORTUGAL)
Prof. Dr. António Rosado (FMH, UTL, PORTUGAL)
Profa. Dra. Ângela Cornick (UMANITOBA, CANADA)
Prof. Dr. Aderson Luiz Costa (UNB)
Prof. Dr. Amauri Gouveia Junior (UFPA)
Prof. Dr. Alexandre Dittrich (UFPR)
Profa. Dra. Cristina Miyazaki (FAMERP)
Profa. Dra. Paula Inez Cunha Gomide" (Faculdade Evangélica do Paraná)
Prof. Dr. Roberto Alves Banaco (PUC-SP)
Prof. Dr. Maria Martha Hubner (USP)
Prof. Dr. Celso Socorro Oliveira (UNESP/BAURU)

COMISSÃO ORGANIZADORA DO EVENTO
Coordenadoria Geral: Profa. Dra. Silvia Aparecida Fornazari (UEL)
Vice-coordenadoria Geral: Profa. Dra. Veronica Bender Haydu (UEL)

Sábado, Dezembro 12, 2009

O perigo do ecletismo teórico na Psicologia

A Psicologia Moderna é uma área do conhecimento que em 2009 completa 130 anos de idade. Oficialmente, foi fundada em 1879 quando o alemão Wilhelm Wundt criou o primeiro Instituto de Psicologia Experimental dotado de laboratórios na Universidade de Leipzig, em seu país.

A Psicologia é uma área muito ampla que possui diversas orientações teóricas, áreas de pesquisa e de aplicação.

Cada orientação teórica possui um conjunto específico de pressupostos filosóficos e epistemológicos, metodologias de pesquisa, técnicas, protocolos de trabalho e até mesmo diretrizes políticas. Existem diversas orientações teóricas na Psicologia. Na verdade existem diversos conjuntos de orientações teóricas. Cognitivistas; Comportamentais; Humanistas, Psicanalistas e Sócio-Históricas podem ser considerados os principais conjuntos de orientações teóricas da Psicologia, apesar de existirem outros de menor expressão. Há divergências e divisões dentro desses conjuntos, mas há também semelhanças que por sua vez nos autorizam a agruparmo-nas em conjuntos.

As orientações teóricas dentro da Psicologia são tão numerosas que se formos levar em consideração todas as divisões dentro dos conjuntos já citados podemos afirmar tranquilamente que há várias centenas de orientações teóricas.

As diferenças entre os conjuntos de orientações teóricas são tão grandes a ponto de vários teóricos considerarem a existência de várias Psicologias e não somente de uma - afinal de contas cada orientação teórica afirma tomar para si o estudo de um objeto com características diferente dos demais objetos de estudo das outras.

Um parte considerável dos epistemólogos modernos afirma que o critério mais importante para a criação de uma área de estudo independente é a eleição de um objeto de estudo que possua características específicas e se diferencie dos demais. Alguns dizem que isso já basta, outros mais criteriosos e sabiamente desconfiados afirmam que precisa-se de algo mais...

Já as áreas de pesquisa permitem o desenvolvimento dos conhecimentos psicológicos através da investigação básica ou aplicada. De forma sintética, podemos afirmar que há pesquisas básicas que lidam com processos primários de funcionamento da “psiquê” humana, e pesquisas aplicadas que se voltam para o desenvolvimento de novas técnicas e protocolos de trabalho. Existem várias áreas de estudo dentro da Psicologia: educação, trabalho, saúde, sexualidade, desenvolvimento, inteligência, aprendizagem, marketing, patologias, rendimento físico, evolução, neurofisiologia, relações interpessoais, poder, preconceito, gênero, arte, percepção etc.

O fato dos pesquisadores trabalharem com base em diferentes orientações teóricas e metodológicas produz variadas conclusões e muitas vezes dados semelhantes ou até mesmo iguais são interpretados de formas diversas gerando conflitos que se mostram na maior parte das vezes impossíveis de serem resolvidos

Com relação às áreas de aplicação da nossa profissão, são reconhecidas pelo Conselho Federal de Psicologia – órgão responsável por regulamentar e profissão - 11 especialidades: Psicologia Clínica, Psicologia Escolar e Educacional, Psicologia Organizacional e do Trabalho, Psicologia Social, Psicologia Hospitalar, Psicologia Jurídica, Psicologia do Trânsito, Psicologia do Esporte, Neuropsicologia, Psicomotricidade e Psicopedagogia. Além dessas especialidades, o Conselho Federal de Psicologia reconhece a atividade docente do Psicólogo no Ensino Médio e no Ensino Superior.

Essa divisão de especialidades não impede que um Psicólogo mescle atividades que são consideradas de áreas de aplicação diferentes. Um psicólogo pode trabalhar prioritariamente com o rendimento físico de um time de futebol, - uma atividade associada historicamente à Psicologia do Esporte - mas isso não o impede que também auxilie no recrutamento e seleção de pessoas para trabalhar no clube – atividades ligadas historicamente à Psicologia Organizacional e do Trabalho. Sem contar que também existem muitos psicólogos que acabam se especializando em atividades muito específicos e que historicamente estão ligadas a determinadas áreas de aplicação. Um psicólogo pode trabalhar somente com recrutamento e seleção de pessoas - uma das muitas atividades que compõem a Psicologia Organizacional e do Trabalho. Há também psicólogos que trabalham exclusivamente na docência e pesquisa ou que além da docência e pesquisa prestam serviços de Psicologia Aplicada.

As orientações teóricas também influenciam decisivamente nas práticas de um profissional de Psicologia. Psicólogos de orientação psicanalista priorizam a associação livre como técnica central da sua análise, pois acreditam que o inconsciente – seu objeto de estudo - se manifesta de melhor forma através da associação livre de ideias e palavras, já psicólogos de orientação analítico-comportamental priorizam técnicas diretivas e voltadas para resultados acordados com o cliente, pois acreditam que essa é uma das melhores formas de tornar o sujeito mais capaz de se conhecer e de se auto-determinar.

Por mais que procuremos encontrar semelhanças entre duas técnicas que se baseiam em orientações diferentes sempre haverá diferenças - nem que eles sejam somente na forma de interpretar a mudança provocada no comportamento do cliente ou paciente. Em relação a isso Guerrelhas (2000 citado em FERRAZ,2005) dá como exemplo o que se conhece como ludoterapia. Ele diz que “independentemente da linha teórica do psicólogo que realiza o atendimento infantil, o brincar parece sempre fazer parte do procedimento, mas o conceito, a definição e sua função variam de acordo com o referencial teórico do terapeuta.”

Em decorrência dessa amplitude e variedade muitos estudantes, profissionais e professores de Psicologia adentram caminhos tortuosos e muitas vezes não sabem onde querem, onde podem ou onde devem chegar. Na verdade não sabem nem de onde, como ou por que partiram.

Um dos fenômenos mais comuns na nossa área é encontrar estudantes, profissionais e até mesmo professores perdidos num mundo – maior que eles mesmos - recheado de conceitos, teorias, técnicas, práticas, epistemologias, pressupostos e ontologias. Muitos não sabem nem que orientação teórica seguir... Outro exemplo simples: perguntem qual o conceito de Psicologia a um grupo de profissionais ou estudantes de diferentes orientações teóricas e terão uma exemplo claro do que foi a Torre de Babel...Simplesmente não há consenso...Na verdade não há nem respostas que poderiam ser catalogadas como “semelhantes”...

Tão perdidos quanto os estudantes e profissionais estão as instituições oficiais que representam a Psicologia enquanto ciência e profissão. O trabalhos de conselhos federal, regionais e de associações científicas e profissionais é árduo...Não conseguem criar referências sólidas para a atuação profissional, pois estão presos ao fato de que direcionar demais a discussão e os documentos produzidos significa deixar algumas orientações teóricas de lado... Ficam perdidos quando o assunto é coordenar, orientar e fiscalizar o trabalho de dezenas de milhares de Psicólogos tão diferentes espalhados por este imenso país...Algumas dessas instituições caminham contra a maré se colocando politicamente de forma totalmente exclusivista e, por isso, não refletindo os anseios da maior parte dos psicólogos brasileiros que, por sua vez, não se sentem representados por essas instituições.

Pior é o trabalho de associações como a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia que tem o objetivo de auxiliar na formação de milhares de Psicólogos todo ano tendo como base um conjunto de diretrizes curriculares para graduação.

Essas diretrizes afirmam que os cursos de Psicologia devem ser generalistas...

Mas generalistas em relação a quê? Em relação á diversificação de orientações teóricas? Em relação á diversificação de áreas de pesquisa?Em relação á diversificação de áreas de aplicação?

Como ensinar de forma eficaz tanta diversidade em 5 anos de curso para alunos que além de estudar Psicologia têm que comer, dormir, namorar e tomar banho...?Há tempo suficiente para isso?

Um dos caminhos menos conflituosos que as instituições oficiais que representam a Psicologia enquanto ciência e profissão encontraram para se livrarem ou pelo menos diminuírem as perturbações causadas por tanta diversidade é atestar a democracia como único remédio para esses conflitos... O esquema é simples: defendem que a única saída para a Psicologia enquanto ciência e profissão é recorrer à democracia, à aceitação quase que incondicional da diversidade... A democracia seria a base para que psicólogos de diferentes orientações teóricas, área de pesquisa e de aplicação se aceitassem e trabalhassem em prol de objetivos em comum...

Mas a coisa não é tão simples assim por que os conceitos de democracia também variam absurdamente na Psicologia, sem falar que a democracia não parece ser o referencial que fez com que profissões ditas “imperais” se estabelecessem solidamente na nossa civilização – como Medicina, Engenharia e Direito. Aparentemente essas profissão utilizam-se de um pressuposto bem mais interessante: eficácia de suas intervenções. Assim, parece que a democracia não vai resolver os problemas da Psicologia....

Pode parecer, mas não é objetivo desse texto criticar a variedade de orientações teóricas dentro da Psicologia ou propor alternativas para ela. Seria pretensão demais...

O objetivo do presente texto é discutir sobre o perigo a qual uma parte considerável dos Psicólogos atuais submete-se ao se definirem e atuarem como “ecléticos”.

Podemos definir o Psicólogo eclético como aquele que afirma utilizar diferentes orientações teóricas para embasar suas práticas.

Muitas pessoas dentro da Psicologia defendem o ecletismo. Rotineiramente defendem que uma abordagem específica não é suficiente para compreender o ser humano, que seria, por demais complexo. Também afirmam que o importante é utilizar técnicas que tenham “alguma” validação científica, independentemente da orientação teórica.

Talvez isso ocorra devido a falhas consistentes na formação dos Psicólogos brasileiros gerando falta de conhecimento aprofundado das bases ontológicas , epistemológicas e metodológicas de cada conjunto de orientações teóricas e ao fato de muitos estudantes e profissionais identificarem-se com aspectos de mais de uma orientação teórica.

O mundo está cheio de verdades e muitas dessas verdades nascem como inverdades, que de tanto serem defendidas tornam-se verdades. Como já disse Paul Joseph Goebbels, Ministro do Povo e da Propaganda de Adolf Hitler, “uma mentira cem vezes dita, torna-se verdade”...

Diante desse fenômeno, perguntamos:

a)Será que é possível um profissional basear seu trabalho em orientações tão divergentes e que quase todas vezes se contrariam?

b)Podemos confiar em um profissional de Psicologia que trabalhe com base em diversas orientações teóricas?

c)É possível considerar que as orientações teóricas podem ser unificadas com o objetivo de se implementar procedimentos e técnicas de intervenção na Psicologia?

d)Quais as consequências do ecletismo teórico para a Psicologia enquanto profissão?

e)Como o ecletismo dificulta o desenvolvimento da Ciência?

Não acreditamos que seja possível basear um bom trabalho de intervenção em orientações diferentes pelo simples fatos de que os pressupostos filosóficos (ontológicos e epistemológicos) não se complementam como num quebra-cabeças. Eles divergem, e muito... O determinismo da Psicanálise freudiana é totalmente diferente do determinismo da Análise do Comportamento. O primeiro atesta que as ações conscientes do ser humano têm origem em estruturas internas de natureza diferente das ações conscientes. Psicanalistas freudianos seriam, nesse caso, dualistas. Já Analistas do Comportamento são monista por que acreditam que o que existe no interior do ser humano tem a mesma natureza do que existe no exterior dele...Na verdade a divisão interior-exterior nem é aceita por Analistas do Comportamento....

Como pode um Psicólogo aceitar pressupostos tão diferentes?

Não acreditamos que um Psicologia que trabalhe com base em diversas orientações teóricas tenha um trabalho confiável, afinal de contas as técnicas e protocolos que utilizamos na nossa prática devem, ou pelo menos deveriam, se ajustar aos pressupostos filosóficos e à teoria subjacente. Se os pressupostos filosóficos e a teoria subjacente são diferentes, os referenciais de utilização da técnica também o são... Como afirmou Guerrelhas “o conceito, a definição e sua função [do procedimento] variam de acordo com o referencial teórico do terapeuta”, ou seja, a ludoterapia de um Analista do Comportamento é diferente da ludoterapia de um Psicólogo Humanista. A gravação de uma sessão de ludoterapia de um Analista do Comportamento pode parecer, aos olhos de um leigo, semelhante ou até mesmo igual à uma sessão de ludoterapia de um Psicólogo Humanista, mas a diferença é facilmente constatável quando observamos como e baseado em que os supervisores de Psicologia Clínica Infantil dessas duas orientações teóricas ensinam seus supervisionandos...

A técnica da Cadeira Vazia implementada por um bom Analista do Comportamento é diferente da técnica da Cadeira Vazia implementada por um bom Psicólogo Cognitivista, pois a aplicação da técnica resulta da interação do cliente com o profissional e os recursos teóricos que cada profissional dispõe...Um Analista do Comportamento dispõe de recursos teóricos diferentes dos recursos de um Psicólogo Cognitivista, logo não há semelhança real, somente uma semelhança aparente. Esses Psicólogos irão interpretar o processo de aplicação dessa técnica de forma diferente.

Não acreditamos, também, que orientações teóricas possam ser unificadas com o objetivo de se implementar procedimentos e técnicas de intervenção na Psicologia, até por que, além de todas as argumentações expostas nos quatro parágrafos anteriores, existe o fato de que um bom psicólogo demora anos para se aprofundar nos pressupostos filosóficos e teóricos e saber utilizar corretamente técnicas e protocolos de observação. A graduação não passa nem perto de aprofundar esses conhecimentos. Bons psicólogos geralmente fazem cursos de formação e especialização em suas respectivas áreas teóricas e aplicadas para só depois sentirem-se seguros no que fazem. Alguns acreditam que precisam até mesmo de um mestrado e ou doutorado para se reconhecerem como Analistas do Comportamento ou Psicólogos Cognitivo-Comportamentais. Simplesmente não há tempo suficiente para aprofundar os estudos em orientações teóricas divergentes na vida de um ser humano normal...Todos precisamos comer, dormir, namorar e tomar banho, né?

As consequências do ecletismo teórico para a Psicologia enquanto profissão são devastadoras e assombrosas! Psicólogos que se baseiam em várias orientações teóricas para exercerem sua profissão mentem para si, para colegas, chefes e clientes. Psicólogos ecéticos acabam realizando intervenções pontuais e superficiais quando atuam, por que o entendimento e uso correto de um técnica perpassa pelo reconhecimento de que função ela terá no processo geral de intervenção e sem uma base teórica sólida isso é simplesmente impossível! Acabam sendo ineficazes por natureza,pois utilizam diversos parâmetros de avaliação para o seu trabalho...Quando os utilizam,né? Como saberiam se uma intervenção foi eficaz e consequentemente se devem alterá-la se por vezes utilizam os parâmetros de avaliação do uma orientação teórica e por vezes utilizam os parâmetros de avaliação do outra orientação teórica?

Com relação ao desenvolvimento da Ciência temos que lembrar que sendo eclético o profissional não dispõe de tempo de se debruçar nos estudos de um prática a ponto de criticá-la e propor aos pesquisadores mudanças nos rumos das investigações. A área aplicada da Psicologia deve servir como teste das proposições obtidas em pesquisas, mas isso quase nunca é feito na nossa área. Imaginem como isso seria possível na Psicologia eclética? As falhas de comunicação entre pesquisadores básicos, aplicados e profissionais é uma das barreiras para o desenvolvimento científico da Psicologia e o ecletismo teórico, por sua vez, impede o aprofundamento das discussões e o detalhamento dos processos devido à sua superficialidade inerente. Uma boa ciência deve caminhar para a síntese não ficar somente na análise e para isso é essencial o aprofundamento nos estudos e investigações.

Não é demais lembrar que existe uma grande diferença do psicólogo que se utiliza de várias orientações teóricas para embasar sua prática de um psicólogo que utiliza-se de várias técnicas, procurando entendê-las e utilizá-las a luz de sua orientação teórica. É o primeiro o objeto de análise do presente texto.

Podemos concluir que o que existe de comum entre os psicólogos que se utilizam, ou dizem se utilizar, de várias orientações teóricas diferentes é o egoísmo, a incompetência e o descompromisso com o desenvolvimento da Psicologia enquanto ciência e profissão.

Referência Bibliográfica

Guilhardi,Hélio José, et al. Sobre comportamento e Cognição: expondo a variabilidade.1ª ed. Santo André, SP: ESETec Editores Associados,2005.v.15. 456 p.


Anderson de Moura Lima


Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Intrigante...

Um dos fenômenos mais intrigantes e interessantes que existem entre os Psicólogos é o hábito que os mesmos têm de sempre priorizar questões ideológicas, políticas e epistemológicas nas discussões que travam em detrimento de questões metodológicas, técnicas e práticas...

Por que será que isso acontece?

Será que a Psicologia deixou de ser um braço da Filosofia?

Será que uma parte dos Psicólogos não costuma adentrar essas discussões que geralmente envolvem eficácia e validação social por receio de se exporem?De exporem as fraquezas teórico-metodológico-práticas das abordagens que "seguem"?

Até quando a Psicologia vai continuar a promover suas discussões em torno de opiniões e pontos de vistas ao invés de promover discussões em torno de dados, métodos e técnicas validadas socialmente?

Até quando a sociedade vai permitir que se gaste milhões de reais com a manutenção de cursos e serviços de Psicologia em instituições públicas, além do gasto com financiamento de pesquisas na área sem que os Psicólogos realmente se interessem em tornar suas práticas mais eficazes?

Perguntas que não querem calar...

Domingo, Novembro 29, 2009

Sobre educação de filhos...

1)Como os pais devem iniciar o hábito do diálogo com seus filhos desde os primeiros anos de vida para que eles se acostumem a trocar experiências, pedir conselhos e tornar mais fácil a conversa na adolescência?

Inicialmente os pais devem saber que: a)Os filhos aprendem muito com os pais imitando as suas ações e ouvindo o que eles dizem; b)É essencial que os pais tenham cuidado com o que falam e o que fazem perto de suas crianças; c)É muito importante os pais aprenderem a observar os seus filhos para que os possam ensinar melhor, d) Os pais também aprendem muito com os filhos e geralmente nem percebem, e finalmente; e)Os pais devem saber que muitas vezes e sem perceber ensinam coisas que não queriam a seus filhos, ou seja, de forma acidental. Sabendo dessas premissas básicas do funcionamento da aprendizagem e do comportamento humano pode-se afirmar que os pais podem iniciar desde os primeiros meses de vida o hábito de conversar com seus filhos, pois mesmo que os filhos não tenham a capacidade de falar eles têm a capacidade de ouvir e irão habituar-se a ouvir e a reconhecer a voz de seus pais, além de terem contato mais cedo com a linguagem. Os pais têm que saber também que é muito importante a coerência entre o que fazem o que falam aos seus filhos, pois estes mais cedo ou mais tarde irão perceber e isso poderá afetar negativamente a educação das crianças. Uma ordem dada, por exemplo, deve vir acompanhada do motivo da mesma para que o filho perceba que a ordem não foi dada por acaso, afinal respeito deve ser conquistado pelos pais e não imposto. Os pais, ao conversarem com seus filhos - crianças ou adolescentes -, devem procurar observarem-nos atentamente sempre dando abertura aos mesmos para que eles nunca aprendam a ficar constrangidos com determinados assuntos e finalmente, devem manter e cultivar o hábito diário da conversa. Caso esses conselhos básicos sejam seguidos pelos pais as conversas durante a fase da adolescência serão bem mais calmas e construtivas.

2)Qual é a importância do diálogo?

O diálogo é importantíssimo para a educação familiar. O bom diálogo aproxima pais e filhos, dá segurança ás crianças e adolescentes, pois elas sabem que sempre vão ter com que conversar numa dificuldade. O bom diálogo também é uma ótima forma de demonstrar e cultivar amor entre pais e filhos e manter os primeiros informados de como as crianças estão se comportando. Os pais devem saber criar momentos especiais para que as conversas se tornem rotina na família e sejam agradáveis, como nos almoços, jantares, festas ou reuniões familiares... Enfim o diálogo é um dos pilares de uma família que tem a capacidade de resolver os problemas que surgem cotidianamente.


Anderson de Moura Lima